sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Presidente liga para dona Canô e perdoa Caetano

Coube ao próprio presidente Lula a iniciativa de colocar um ponto final na polêmica com o cantor e compositor Caetano Veloso, que o chamou de "analfabeto", em entrevista à jornalista Sonia Racy, do Estado, no dia 5. De Roma, Lula ligou para dona Canô, mãe do artista, que queria se desculpar pelas declarações.

Após polêmica, que mobilizou artistas e políticos País afora, o assunto foi discutido pelo clã, na terça-feira. Horas depois, à noite, o telefone da casa tocou. Rodrigo, irmão de Caetano, atendeu. "Veio a mensagem: "Boa noite, é do gabinete do presidente, ele queria falar com dona Canô"."

Lula relatou ter sido informado da intenção de dona Canô, constrangida com as declarações do filho, e quis tranquilizá-la. "Não fique chateada, preocupada, porque gosto muito da senhora e gosto do Caetano também", disse, segundo Rodrigo. "Está tudo bem, essas coisas acontecem."

Na entrevista ao jornal, o cantor disse que votará em Marina Silva (PV) para presidente, caso ela se candidate, porque "não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro". Dona Canô, em outra entrevista, disse que a opinião não era refletida no resto da família.

Lula manifestou o desejo de "dar um abraço" na matriarca hoje, quando estará em Salvador para participar das comemorações do Dia da Consciência Negra. "Minha mãe foi dormir mais tranquila e emocionada", diz Rodrigo. "Agora, definitivamente, esse assunto está esclarecido com todas as partes e encerrado."

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Ministério da Fazenda acusa jornal ligado a Folha e Globo de mentir

O Ministério da Fazenda negou ontem que o ministro Guido Mantega tenha declarado, durante a crise internacional, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia proibido o Banco Central (BC) de gastar dinheiro das reservas internacionais.

Em nota oficial, o ministério afirma que "é mentirosa" a versão contida na reportagem de capa da revista "Eu&", do jornal "Valor Econômico", publicada na sexta-feira. Na mesma página, em legenda de foto, é feita a afirmação, segundo a nota, de que Mantega provocara alta do dólar ao dizer que o presidente não concordaria com a medida.

Segundo a nota, em 6 de outubro, em entrevista ao lado do presidente do BC, Henrique Meirelles, Mantega afirmou: "Estamos procurando manter as reservas no seu patamar, porque é importante, num momento como este, manter o volume de reservas elevado. Esta é uma orientação do presidente que nós temos cumprido".

Decisão final sobre Battisti deve caber a Lula

O Supremo Tribunal Federal conclui hoje o julgamento da extradição do ex-militante de extrema esquerda Cesare Battisti, preso no Brasil em março de 2007. Nesta terceira e última sessão sobre o caso, os ministros deverão, por maioria apertada, autorizar a entrega do italiano ao seu país de origem, mas com a ressalva de que a última palavra cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O julgamento será retomado com o voto do presidente do tribunal, Gilmar Mendes. Ele já sinalizou concordar com o voto do relator do processo de extradição, Cezar Peluso, para quem a concessão de refúgio a Battisti pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, foi um ato "ilegal", os assassinatos imputados ao italiano foram crimes comuns e não políticos, e o presidente da República é obrigado a cumprir aquilo que o Supremo decidir.

Peluso já foi acompanhado pelos ministros Ricardo Lewandowski, Ellen Gracie e Carlos Ayres Britto. O último, porém, afirmou que concorda com o relator apenas quanto à extradição, mas ainda não se pronunciou quanto a obrigar que Lula cumpra aquilo que for decidido hoje no Supremo.

Após o voto de Mendes, o placar deverá ficar em 5 a 4 pela extradição de Battisti. Começará, então, outra discussão, sobre a obrigatoriedade de Lula em seguir a posição do STF.

Como Ayres Britto já disse que ainda não votou sobre o que o presidente pode ou não pode fazer, ele sinaliza que deverá seguir uma divergência já apresentada pelos ministros Marco Aurélio Mello e Joaquim Barbosa em seus votos sobre o caso. "Se o Executivo, que é o órgão titular das relações internacionais do nosso país, decidir comunicar ao Estado estrangeiro que não procederá à entrega da pessoa procurada, fazendo uso do princípio de soberania que rege as relações internacionais, não poderá o Supremo forçar o Executivo a extraditar a pessoa", afirmou, por exemplo, Barbosa.

Essa também deve ser a posição dos ministros Eros Grau e Cármen Lúcia, que votaram a favor de Cesare Battisti. O placar neste caso seria um outro 5 a 4, só que desta vez afirmando que o presidente é livre para fazer o que bem entender.

Battisti foi integrante do PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), grupo radical de esquerda que atuou durante os anos 70, período conhecido como os anos de chumbo da Itália, quando uma série de leis foi editada em reação a tais movimentos que queriam derrubar o poder pela luta armada.

Nos anos 80, depoimentos de ex-colegas do PAC, em troca de benefícios jurídicos, o ligaram a quatro assassinatos pelos quais foi condenado à prisão perpétua na Itália. Ele nega a autoria dos crimes e diz que não teve a oportunidade de se defender.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Em treino, militares protegem pré-sal e invadem "Itaipu"

As Forças Armadas iniciaram ontem um exercício no qual militares simularão a defesa de instalações de petróleo no mar e a tomada de uma "Itaipu" fictícia.

Com um contingente de 8.000 militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, a Operação Laçador é o maior exercício combinado da América Latina, segundo o Comando Militar do Sul, que coordena a operação.

Numa alusão às reservas do pré-sal, a simulação começa com a invasão a instalações petrolíferas por um país imaginário.

Outra ação será a tomada de uma usina hidrelétrica no rio Uruguai, entre Itá (SC) e Aratiba (RS). Na simulação, a usina de Itá fica na divisa imaginária entre os dois países em litígio e é "binacional", assim como Itaipu, objeto de polêmicas entre o Brasil e o Paraguai.

O general-de-brigada Antônio Carlos Krieger negou que o exercício possa causar mal-estar político com o país vizinho porque, segundo ele, as atividades serão realizadas longe da fronteira.

Empreiteiras erraram na instalação de vigas, diz Crea

Para engenheiros, as 5 vigas teriam de ser instaladas de uma só vez para evitar acidente

Ao invés disso, foram colocadas apenas quatro vigas, das quais três caíram sobre veículos na Régis três dias após sua instalação

O Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-SP) afirma que as empreiteiras responsáveis pelas obras do Rodoanel adotaram um procedimento tecnicamente incorreto na instalação das vigas que desabaram sobre três carros na rodovia Régis Bittencourt. Para os engenheiros, esse erro é a principal hipótese do acidente da última sexta-feira.

O engenheiro civil José Tadeu da Silva, presidente do órgão, afirmou ontem que as construtoras precisavam ter colocado as cinco vigas de concreto do viaduto de uma só vez, para permitir a amarração da estrutura e para ela "travar".

O consórcio, integrado por OAS, Mendes Jr. e Carioca e contratado pela Dersa (estatal paulista), instalou somente quatro das vigas na terça passada, porque a quinta -e última nesse lado do viaduto- quebrou quando era transportada.Houve mobilização para continuar os trabalhos na quinta-feira (além dessa viga, faltava instalar mais cinco do outro lado da obra), mas, sem avisar com antecedência a concessionária da Régis, não houve aval para bloquear a rodovia.

Pista de autorama

"Melhor que deixasse as quatro no chão e aguardasse a quinta", afirmou Tadeu da Silva. "É como montar uma pista de autorama. Se uma peça não for encaixada, não vai ter aquela firmeza, aquela resistência, aquele travamento para não se movimentar", disse ele, para quem há uma "possibilidade enorme" de essa ser a explicação para a queda das vigas.

A avaliação do presidente do Crea-SP foi feita após uma equipe de seis técnicos do órgão visitar a obra ontem. O conselho apura as circunstâncias do acidente para avaliar eventuais punições aos engenheiros -que podem ir de uma advertência à suspensão do registro.

Cada viga do viaduto pesa 80 toneladas. Das quatro que já estavam colocadas, três desabaram, no Embu (Grande SP).

A autorização inicial obtida pelas empreiteiras e pela Dersa para ocupar parte das pistas da Régis e instalar dez vigas no viaduto em obra valia entre 7 e 10 de novembro (de sábado até terça). Mas, por problemas com chuva, quebra de um guindaste e rachadura em uma das vigas, só foram instaladas quatro.

O superintendente operacional do conselho, Ademir Alves do Amaral, disse que não foram encontrados indícios nem de uma amarração provisória das quatro vigas já instaladas. "Se as cinco peças tivessem sido colocadas simultaneamente, a estrutura teria travado e dificilmente teria ocorrido a queda", completou Tadeu da Silva.

Concreto

O Crea-SP não descarta a interferência de outros fatores no acidente, como a secagem das vigas (tempo para a estabilização do concreto) e até eventuais danos no transporte.

Dois especialistas ouvidos pela Folha avaliaram que uma das explicações do acidente pode estar na instalação individual de cada viga, e não no travamento conjunto delas.Para Werner Mangold, professor de engenharia civil da FEI, a montagem correta das vigas deve ser suficiente para estabilizá-las -mesmo sem a amarração entre elas.Segundo João Virgílio Merighi, professor do Mackenzie, a falta de um travamento correto de cada viga nas duas pontas do viaduto pode ter sido determinante. "O que ocorreu foi um efeito dominó. Uma das hipóteses é que uma das vigas tombou e, em seguida, acabou empurrando as demais." A falha em uma das vigas, diz, também pode ter sido provocada por materiais pouco resistentes.

"Se a viga for liberada antes de o concreto adquirir resistência, pode provocar acidentes", diz Werner Mangold.

O Crea-SP diz que é preciso 28 dias para a secagem do concreto. Mas, afirma Mangold, há aditivos para que uma viga seja liberada em dois dias.Folha

Serra ensaia discurso para 2010

Apesar do ultimato de Aécio Neves, o governador de São Paulo, José Serra, só vai anunciar em março a decisão de concorrer a presidente da República pelo PSDB. Aécio deu prazo até dezembro para a definição dos tucanos. Depois disso, informou, pretende cuidar da própria eleição para o Senado. Serra apenas mantém a estratégia de levar a decisão até o fim do prazo previsto na legislação eleitoral.

Candidato ao Senado, Aécio terá até o fim de junho para confirmar sua decisão. Se as pesquisas forem favoráveis a Serra, pode pensar em compor uma chapa puro-sangue, sonho eleitoral tucano. Caso contrário, começa de imediato o processo de reaglutinação do PSDB com vistas a 2014. Aécio tem 49 anos. A presidência do Senado é um objetivo que dependerá da relação de forças à época.

Serra será o candidato do PSDB e o fato é que Aécio nunca ameaçou a indicação do governador de São Paulo. O partido atendeu a todas as demandas do governador mineiro, mas ele nunca respondeu com uma alteração significativa nas pesquisas que levasse os tucanos a mudar de ideia. Serra é conhecido nacionalmente, tem uma sólida biografia e lidera as pesquisas de intenção de voto, mesmo tendo oscilado negativamente nos últimos levantamentos.

Quem tem voz e voto no partido diz que o PSDB e Serra deram a Aécio todas as oportunidades que ele pediu, como as viagens para encontros com a militância tucana e a divisão do programa de TV que vai ao ar este mês. Aprovou inclusive a realização de prévias, uma proposta do governador de Minas que ele próprio aos poucos foi deixando de fora do discurso de pré-candidato. Em troca, espera-se agora a adesão efetiva do governador à candidatura que o PSDB indicar.

Da mesma forma não ocorre aos dirigentes tucanos que Serra possa desistir de ser candidato em março, fim do prazo legal para deixar o Palácio dos Bandeirantes para disputar a cadeira de Luiz Inácio Lula da Silva. Isso aconteceu em 2006, segundo os tucanos, menos por vontade de Serra e mais porque Geraldo Alckmin, então governador do Estado, botou "o pé na porta" e não abriu mão de ser o indicado. Nem Serra mostra o menor sinal de que pretenda deixar escapar talvez sua última oportunidade de disputar a Presidência.

Nos momentos de maior otimismo, segundo contam interlocutores do governador, Serra chega a especular que pode ser mais fácil ganhar a eleição do que governar. Mais por conta da frenética elevação do gasto público que o atual governo deixará de herança para o sucessor que do aparelhamento da máquina administrativa. Lembra-se no PSDB que o tucano sucedeu a Marta Suplicy na Prefeitura de São Paulo sem nenhum incidente. Ao contrário, deu sequência a programas da ex-prefeita como os CEUs e o bilhete único.

Isso se aplicaria a programas do governo Lula, se o PSDB vencer a eleição de 2010, como o Bolsa Família. Provavelmente com aperfeiçoamentos. Em conversas reservadas, Serra também dá de ombros à tese da comparação dos "oito anos de mandato de Lula com os oito anos de FHC", como costumam instigar o presidente da República e o PT. E torce o nariz à questão "ideológica" de privatizar e não privatizar, um golpe no queixo da candidatura Alckmin nas eleições de 2006.

No governo de São Paulo, Serra operou com concessões. Quando vendeu um banco estatal, a Nossa Caixa, fez o negócio com outro agente estatal, o Banco do Brasil. Ele até tentou privatizar a Cesp, mas não conseguiu. Num desses encontros, um tucano anotou uma frase dita por Serra quando ele analisava a intenção do PT de comparar os oito anos de Lula com os oito de FHC:

"Eu tenho um perfil próprio."

Apesar de momentos de otimismo, Serra acha que enfrentará uma eleição difícil. Poucas coisas o deixam irritado, dizem os amigos. Uma é a comparação segundo a qual ele e a ministra Dilma Rousseff, a candidata do PT, têm perfis iguais.

Serra mantém um bom relacionamento com Dilma, mas uma das armas de sua campanha a presidente deve ser justamente o "currículo" - secretário de Estado, deputado federal, senador, ministro, prefeito e governador de São Paulo. Não é à toa que ele costuma dizer, em seus discursos, que currículo serve para tudo. Até para arrumar emprego.

Furnas descarta falha humana em blecaute

O presidente de Furnas Centrais Elétricas, Carlos Nadalutti Filho, desprezou a hipótese levantada por técnicos do setor elétrico de que o blecaute da semana passada, que afetou 18 Estados, ter sido causado por erro humano. Disse também que a justificativa dada pelo governo para o incidente, atribuído a fenômeno meteorológico, não quer dizer que as linhas de transmissão que se desligaram tenham sido atingidas por raios.

Já o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, admitiu a possibilidade de que a segurança energética seja incluída nos cálculos para tomada de decisão sobre ligar ou não ligar as usinas termelétricas, que existem para funcionar em situações de escassez de energia de outras fontes, especialmente hidrelétrica. O critério atual é baseado no preço, sendo ligadas, em condições normais, sempre as fontes de energia mais baratas. Atualmente, com os reservatórios das hidrelétricas cheios, pouquíssimas termelétricas, mais caras, estão sendo ligadas.

Tudo, segundo Lobão, dependerá dos resultados que serão apresentados pelo grupo de trabalho criado pelo governo para analisar o blecaute, buscando precisar sua causa e apontar medidas a serem tomadas para evitar uma repetição. "A modicidade tarifária (menor preço) interessa a todo o povo brasileiro, mas é claro que não podemos procurar a modicidade em prejuízo da segurança", afirmou o ministro após abrir o seminário sobre o setor de energia, no Rio.

Sobre a causa do blecaute, Nadalutti disse que "não há necessariamente associação a raio". Segundo ele, "existem, sim, comportamento climatológico em cima desses equipamentos (das linhas de transmissão), não necessariamente raios". Nadalutti participou da abertura do mesmo seminário ao qual compareceu Lobão. A um pedido para que explicasse melhor, o presidente de Furnas disse apenas que a explicação teria que ser buscada "a nível da física", dando a entender que seria muito complicado para o senso comum entender. Segundo ele, "em outras oportunidades já houve coisas semelhantes e nada aconteceu".

Furnas é a dona das linhas de transmissão que levam energia elétrica da usina de Itaipu para a Região Sudeste. Na noite da terça-feira, dia 10, as três linhas que transportam a energia se desligaram simultaneamente nas proximidades da subestação de Itaberá, São Paulo, um comportamento típico de proteção contra algum tipo de curto-circuito, provocando uma reação em cadeia que desligou 28,8 mil megawatts da carga média total de cerca de 54 mil megawatts do Sistema Interligado Nacional (SIN) naquele dia.

Nadalutti disse que não havia nenhuma interferência humana na operação dos equipamentos de controle das linhas que pudesse justificar a hipótese de erro de algum operador. Quanto à possibilidade de vir a ser feita uma linha de transmissão por uma rota diferente, que sirva de alternativa às linhas atuais, dando maior confiabilidade ao sistema, o presidente de Furnas disse que o sistema elétrico brasileiro "está dimensionado sob a ótica da melhor engenharia no sentido de otimizar os gastos", dando a entender que qualquer obra adicional deve ser examinada sob a ótica do custo e do seu benefício.

A sua breve entrevista foi interrompida pela assessoria do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que o levou pelo braço, alegando que Nadalutti precisava despedir-se do ministro Lobão que naquele momento preparava-se para deixar o local do evento, que termina amanhã e tem o patrocínio de Furnas. Cunha, responsável pela escolha de Nadalutti para presidir a geradora federal de energia elétrica, mostrou que hoje detém o poder político em Furnas.

Ao longo dos últimos dois anos o deputado foi apontado como responsável pela tentativa de trocar dois dirigentes da Fundação Real Grandeza (o presidente e o diretor de investimentos), fundo de pensão dos empregados de Furnas e da Eletronuclear) antes de vencerem os respectivos mandatos. Os participantes do fundo resistiram, mas os dois deixaram os cargos ontem, sem terem conseguido renovar seus mandatos, como faculta o estatuto da instituição.

Cunha foi uma das estrelas do primeiro dia do seminário e feira "Brazil Global Energy", com marcada presença do PMDB, fazendo uma longa palestra sobre o petróleo na camada pré-sal e sobre o setor elétrico do ponto de vista da tramitação de projetos no Congresso. Basicamente, defendeu as posições do governo, mas, tendo como pano de fundo o blecaute da semana passada, criticou a pouca ação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) como agente fiscalizador e cobrou explicações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Outro palestrante foi o diretor da Área Internacional da Petrobras, Jorge Zelada, também indicado pelo PMDB.

Hoje, na sede do Operador Nacional do Sistema, no Rio, haverá reunião dos órgãos e empresas envolvidos com o blecaute para preparar um relatório à Aneel.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

'Eles estão roendo a corda', diz assessor de Lula

A delegação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi surpreendida ontem no amanhecer de Roma pela decisão do presidente americano, Barack Obama, e de outros 18 líderes da região Ásia Pacífico de adiarem a tentativa de acordo global no combate às mudanças climáticas, previsto para o próximo mês em Copenhague.

"Quem está roendo a corda não somos nós", reagiu Marco Aurélio Garcia, o assessor internacional do presidente Lula, ao ser informado por dois jornalistas brasileiros do anúncio de horas antes em Cingapura. "Eles vão ter de dar uma resposta [ao problema da mudança climática]."

No sábado, Lula e seu colega francês, Nicolas Sarkozy, tinham se lançado em Paris na batalha para salvar a cúpula de Copenhague. Sarkozy prometeu rodar o mundo para formar uma aliança de alguns países desenvolvidos, os principais emergentes e os mais pobres seriamente atingidos pela mudança climática. Ele apontou claramente como adversários os componentes do G-2 - Estados Unidos e China, os dois maiores poluidores do planeta, suspeitos de tentarem se arranjar entre si.

Enquanto Lula tinha afirmado que telefonaria a Obama hoje, o noticiário na internet ontem cedo anunciava que "líderes mundiais reunidos em Cingapura colocaram o prego final no caixão da conferência de Copenhague", empurrando a tentativa de acordo provavelmente para o fim de 2010, na Cidade do México.

Marco Aurélio Garcia saía do salão de café do elegante Hotel Hassler Vila Medici, na Via Sistina (antigamente uma rua privada do papa em pleno centro de Roma), quando foi questionado sobre como o Brasil reagiria ao anúncio. O principal assessor internacional de Lula se virou para o secretário-geral do Itamaraty, embaixador Antonio Patriota, e indagou : "Você viu isso?"

Patriota retrucou que "já se esperava algo assim". Para o Itamaraty, os líderes da Apec, em Cingapura, "aguaram" o comunicado final, trocando inclusive números de metas de redução de emissões por vaga promessa de "cortes substanciais".

Para os brasileiros, os ditos "líderes mundiais" de Cingapura representavam apenas uma parte deles, uma maneira de dizer que Lula, Sarkozy e outros terão de contar nas decisões finais.

Na cena internacional, já não se esperava mais um acordo em Copenhague. Mas tampouco se contava com uma declaração tão explícita de EUA, China e outros países, esvaziando de vez a reunião do mês que vem, agora destinada a discutir um "quadro" que já foi negociado no passado em Báli (Indonésia).

O Brasil em todo caso continua colocando fé na conferência de Copenhague. A expectativa é de que saiam medidas para um "acordo vinculante" mais tarde.

Marco Aurélio informou que a ministra Dilma Roussef estará hoje em Copenhague para apresentar a proposta brasileira de redução de até 38,9% das emissões, durante uma reunião técnica.

"A proposta brasileira existe independentemente disso [do anúncio de Obama, China e outros da Apec]", afirmou. Ele não soube dizer qual o custo desse corte para a indústria brasileira, em termos de ajustamento, mas garantiu que "não foi na base do "chutômetro", foi com base em muita pesquisa".

Para o Palácio do Planalto, a estratégia franco-brasileira de formar alianças por um acordo do clima não será alterado. "Pelo contrário", disse o assessor. "Eles é que estão roendo a corda", disse. "O tema está aí independentemente de nossa vontade. O que está em jogo são os efeitos da mudança climática."

A conversa passou para a reunião presidencial Brasil-Argentina para atenuar o ambiente de confronto comercial. Marco Aurélio minimizou a situação tensa bilateral. Lembrado que os jornais não cessam de falar de problemas na fronteira, o assessor respondeu: "Se a gente ler os jornais brasileiros, parece que Lula tem 10% de popularidade, quando tem 80%".

Governo debate hoje plano de banda larga

As companhias do setor de telecomunicações aguardam o evento de hoje no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em que ministros e especialistas estrangeiros debaterão o Plano Nacional de Banda Larga. As operadoras querem um espaço nessa força-tarefa. O governo, de início, descartava esforços das companhias de telefonia, mas agora tende a uma solução convergente, que poderá oferecer facilidades para as empresas entrarem no plano.

Projeto de extremo interesse para a Presidência da República, o esboço da proposta prevê a implantação de uma rede estatal de fibra óptica de 31.448 quilômetros interligando 4.245 municípios (o equivalente a 76% do território nacional) e beneficiando cerca de 162 milhões de pessoas (87% da população).

Inicialmente, o Ministério do Planejamento, por meio da Secretaria de Tecnologia da Informação, chefiada por Rogério Santanna, começou a estruturar a empreitada considerando o aproveitamento de uma rede de fibra óptica de Furnas, da Eletronet e da Petrobras já existente e com capacidade disponível para o tráfego de informações.

A distribuição da rede seria feita só por companhias públicas. Entre as opções em estudo, há a possibilidade de usar a Telebrás. Mas, na semana passada, as empresas levaram ao ministro das Comunicações, Hélio Costa, a intenção de participar do plano.

Para levar a infraestrutura e possibilitar o acesso ao serviço de banda larga em regiões distantes dos grandes centros onde não seria interessante economicamente manter operação, as companhias de telefonia pediram isenções fiscais, mudanças regulatórias e uma política de licenciamentos mais flexível.

Segundo Costa, o Ministério das Comunicações ainda está sistematizando a forma como as empresas privadas podem colaborar com o Plano Nacional de Banda Larga. A intenção do ministro é fazer com que as operadoras participem desse plano, já que têm infraestrutura e conhecimento comercial para isso. Para ele, as companhias poderiam chegar aos rincões do país com pacotes de banda larga mínimos, com conexões de internet a uma velocidade de 256 kilobits por segundo (Kbps) e uma tarifa mensal de R$ 9,99.

Costa descarta a possibilidade de ressurreição da Telebrás para executar esse serviço. "A Telebrás caminha para a extinção. É uma empresa com um passivo enorme." Em junho, a empresa tinha patrimônio líquido negativo de R$ 7,4 milhões. Recentemente, foi alvo de forte especulação na bolsa de valores por conta desses rumores.

Costa não descarta o uso de redes de fibra óptica disponíveis no país, mas lembra que muitas delas estão envolvidas em disputas judiciais. Apenas a Eletronet tem 12 mil quilômetros de rede no país, mas enfrenta processo de falência na Justiça. "Quando as linhas forem liberadas, elas podem ser integradas ao projeto, mas o plano não pode se basear apenas nisso", diz Costa.

Segundo o ministro Samuel Pinheiro Guimarães, da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), "é necessário que o governo aceite a participação da iniciativa privada", numa solução convergente. Segundo ele, as empresas poderiam disseminar suas redes, mas, onde não for viável economicamente, o governo poderia fazer esse papel. "Essa seria uma questão de preço", diz ele.

Com a banda larga, o governo prevê não apenas permitir o acesso à população de localidades mais remotas à informação por meio da internet, mas também oferecer projetos nas áreas de telemedicina e tele-educação, que poderiam colaborar para melhorar as condições sociais da região. "Há 500 municípios brasileiros sem um médico sequer e a telemedicina poderia ajudar no atendimento dessas pessoas", diz o embaixador.

Hoje, no Ipea, especialistas de vários países apresentarão suas experiências no setor e discutirão estratégias que poderiam ser adaptadas para a democratização do acesso em banda larga no Brasil. O debate no governo é coordenado por Cezar Alvarez, assessor da Presidência da República.

Além de uma eleição difícil em 2010,PSDB vive dilema

Além de uma eleição difícil em 2010, a oposição - e em especial o PSDB - vive um dilema no Congresso: como se comportar em relação a uma série de projetos populares mas ruinosos para as contas públicas. São 15 projetos que, aprovados, causarão um impacto de R$ 50 bilhões nas contas públicas, na melhor das hipóteses, de acordo com levantamento dos tucanos, até agora os favoritos à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo as pesquisas. Na pior, o rombo pode alcançar a cifra de R$ 112 bilhões.

Neste cálculo (R$ 112 bilhões) estão computados os efeitos do projeto do senador Paulo Paim (PT-RS) que trata retroativamente mudanças no reajuste dos aposentados da Previdência Social. O valor de R$ 50 bilhões leva em conta apenas a aprovação do projeto que estende aos aposentados o reajuste pela variação do salário mínimo a todos os benefícios previdenciários.

Nos Estados e municípios, as contas - feitas por técnicos do PSDB que devem assessorar a campanha presidencial do partido em 2010 - indicam um impacto de R$ 32,5 bilhões.

A conta chega em R$ 112 bilhões quando se leva em consideração a aprovação do projeto de Paim segundo o qual a recomposição dos benefícios será feita pelo número de salários mínimos quando da concessão da aposentadoria. Sozinha, a medida representaria um adicional de R$ 76 bilhões ao ano.

Muito embora as contas feitas tenham em vista um futuro governo tucano, na prática a eventual aprovação desses projetos terá um efeito devastador sobre qualquer governo que se instalar no Palácio do Planalto, a partir de 1º de janeiro de 2011.

Ao todo são 15 os projetos acompanhados com lupa pelos tucanos. Seus dois principais candidatos à Presidência da República, José Serra e Aécio Neves, já consideram que a situação fiscal, no ponto em que se encontra, será um complicador para o próximo governo. Pior ainda será se os 15 projetos em tramitação forem aprovados como estão. Em outra época, os projetos talvez nem chegassem ao ponto em que se encontram, mas em véspera de eleição a tentação é grande e os corredores do Congresso vivem entupidos de manifestantes.

São projetos, em geral, de forte apelo popular Um dos mais recentes vincula 2% das receitas de impostos e contribuições da União (e 1% das receitas de Estados, DF e municípios) a um fundo de habitação de interesse social. Isso num momento em que se discute a desvinculação - o cálculo dos tucanos inclui a desvinculação de 20% da DRU, medida já aprovada pelo Congresso.

Pela ótica da educação, a que se destina o dinheiro da desvinculação, trata-se de um projeto meritório, mas é forte o impacto nas contas públicas: R$ 7 bilhões em 2010 e R$ 10 bilhões em 2011. No caso da vinculação de recursos para a habitação - projeto já aprovado em comissão especial - a sangria no cofre da União prevista é de R$ 8,8 bilhões. No que se refere a Estados e municípios, R$ 27 bilhões. Ou seja, uma expansão de R$ 23 bilhões frente aos cerca de R$ 4 bilhões gastos atualmente

Segundo os técnicos do PSDB, alguns Estados já têm formas de repasse automático para gastos habitacionais. Logo, as formas de financiamento com recursos de poupança e FGTS ficarão totalmente subutilizadas.

Com a aproximação das eleições, projetos com apelo popular costumam ganhar celeridade, como é o caso das propostas de Paim para a Previdência Social. Ninguém quer ficar mal com os aposentados. O governo negociou direto com as centrais sindicais um acordo alternativo ao projeto de Paim - afinal, não quer vetar um projeto que pode desgastar eleitoralmente sua candidata a presidente, a ministra Dilma Rousseff.

Pressionado, o presidente da Câmara, Michel Temer, colocou o projeto na pauta - ao mesmo tempo em que ficou bem com os aposentados deixou o governo em xeque, no momento em que o PMDB negocia com o PT sua participação na campanha de Dilma e a composição dos palanques estaduais para 2010.

Nesse quadro, a oposição fica num impasse: ou apoia o governo, em período eleitoral, ou vota de acordo com o discurso (contra o aumento do gasto público) ou com seu interesse de médio prazo: voltar a ocupar o Palácio do Planalto. A oposição, na realidade, julga que já foram ultrapassados todos os limites em relação ao gasto público. Por isso tem, discretamente, sem alarde, ajudado a ala do governo que também está preocupada com as ameaças que vê armadas no Congresso.

O problema das mudanças propostas já aprovadas no Senado e em discussão na Câmara, na área previdenciária, é que elas mudam radicalmente a estrutura das despesas da Previdência Social no horizonte de longo prazo: dos 7% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2008, a 18% no ano de 2050.

Além das áreas da Previdência Social e da habitação, a Cultura também contribui com um pacote de três projetos diferentes que instituem o Vale Cultura. O mais simples deles tem impacto previsto nas contas públicas de R$ 216 milhões, na hipótese de que 400 mil servidores sejam beneficiados. O projeto mais custoso tem impacto na Previdência de cerca de R$ 4,3 bilhões, considerando-se o universo de 12 milhões de aposentados que recebem abaixo de cinco salários mínimos - os pensionistas estão fora do cálculo tucano. Os três projetos foram aprovados na Câmara e agora devem ser discutidos e votados pelo Senado.

Há também os projetos nas áreas da educação e da segurança pública. Além da lei que reajustou salários dos profissionais na área da educação, que está sendo questionada no Supremo Tribunal Federal por governadores, se encontram em tramitação propostas como a instituição do regime de dedicação exclusiva para os profissionais da educação básica pública que, aprovado, sairá por cerca de R$ 13 bilhões para Estados e municípios.

Preocupa especialmente os governos do PSDB em Minas Gerais e São Paulo duas propostas de emenda constitucional. Uma equipara a remuneração de delegados ao Ministério Público Federal; a outra, estabelece que a remuneração dos policiais militares, nos Estados, não poderá ser inferior à dos PMs do Distrito Federal, que é muito superior à dos demais (em 2007 um coronel do DF ganhava cerca de R$ 10,5 mil, o dobro do de Minas).

Finaliza o pacote a regulamentação da Emenda Constitucional 29, que estabelece os recursos para a Saúde. A tramitação está travada desde que o governo decidiu recuperar o que perdeu com o imposto do cheque ao instituir contribuição específica para a saúde, a CSS. Passadas as eleições, a emenda 29 tem chances: qualquer que for o governo eleito terá todo o interesse de recuperar o dinheiro da CPMF.

domingo, 15 de novembro de 2009

O filme "Lula, o filho do Brasil" conta uma história real que emociona e incomoda

O filme "Lula, o filho do Brasil" estreará em 500 cinemas no dia 1º de janeiro. As platéias chorarão de emoção e a oposição, de raiva. São 128 minutos de viagem pela história de um garoto que sai do sertão pernambucano, come o pão que o Diabo amassou, e chega à presidencia da República. É possível que algumas pessoas comecem a chorar já na fila para a compra de ingressos. Deliberadamente épico, o filme arranca até a última lágrima da platéia. A epopéia foi lustrada pelos roteiristas e pelo diretor Fábio Barreto, mas não foi invenção deles. Ela está na essencia da história do filho de Dona Lindu.

"O Filho do Brasil" baseia-se no livro do mesmo título, de Denise Paraná, lançado em 2002. Ele reúne uma longo depoimento de Lula à autora, mais entrevistas com seus três irmãos, três irmãs e a mulher, Marisa. Quem o leu viu uma parte da alma de Nosso Guia, acompanhou as vicissitudes de sua família e admirou a altivez das irmãs Marinete, Maria e Tiana, duas empregadas domésticas e uma operária.

A crítica a "Lula, Filho, do Brasil" correrá em duas pistas. Uma, estética, discutirá o filme. Outra, política, cuidará da narrativa e seus efeitos num ano de eleição presidencial. Só Deus sabe o tamanho do benefício que o sucesso do filme levará aos companheiros. Olhado sob esse prisma, é um exemplar de realismo petista. Retrata com fidelidade quase todos os fatos que conta, mas constrói um herói implausível, sem defeito nem deslize. Pena, porque aos 29 anos, Lula abandonou uma companheira grávida de seis meses com quem planejava viver. Foi o caso de Miriam Cordeiro, mãe de Lurian. (Essa história está bem contada, por ele, no depoimento que deu ao projeto "ABC de Luta": "Eu até compreendo o ódio que [ela] tem de mim").

Situações desse tipo refletem a complexidade, as tensões e os sofrimentos da vida dos mortais. Tirá-las da narrativa, como fizeram, empobrece o personagem e ilude a platéia.

É comum ver adversários de Lula torcendo o nariz sempre que ele relembra as dificuldades por que sua família passou. As desgraças mostradas no filme são uma pequena e contida amostra do que eles penaram. Fábio Barreto não filmou a cena em que o menino Lula pede um chiclete mastigado a um amigo. Ficou de fora também a morte, sem qualquer assistência médica, de um casal de gemeos de Dona Lindu, recem-nascidos em São Paulo. A doença e morte de Lurdes, primeira mulher de Lula, grávida de oito meses, vai mostrada em cenas breves, quase secas. A tragédia que se vê na tela choca e emociona, mas não exagera. Aquilo foi o que aconteceu no Hospital Modelo em 1971.

Um episódio pouco conhecido da vida de Lula foi sovieticamente alterado pela arquitetura da construção do herói implausível. No filme um operário é assassinado durante uma greve e seus colegas atiram o empresário (ou gerente) do alto de um passadiço da fábrica. Lula assistiu a cena de longe e, indignado, reclamou com seu irmão. Falso. Nosso Guia contou o caso a Denise Paraná e ele está na página 80 de seu livro. (Paraná é co-roteirista do filme.) O episódio ocorreu em 1962, o dono de uma pequena confecção baleou um grevista e seus colegas atiraram-no do alto de um sobrado e lincharam-no. É Lula quem narra: "O pessoal chutou ele" (à) "Acho que ele morreu" (à) "Eu achava que o pessoal estava fazendo justiça".

"Lula, o filho do Brasil" ajudará, e muito, as campanhas de Dilma Rousseff e do PT. Se Luís Inácio da Silva visse esse filme em 1968, quando era um peão que só pensava em futebol, votaria no PT, em Dilma e nos candidatos indicados por aquele filho porreta de Dona Lindu.

Nenhum dos ingredientes que o levariam a tomar essa decisão seria inteiramente falso. Noves fora a trapaça do linchamento e alguns retoques, o que aparece na tela aconteceu na vida real.

Como Tarzan, Rocky Balboa ou até mesmo o esplendido Napoleão de Abel Gance, o herói implausível de "Lula, o filho do Brasil", encanta, comove, e só. Torce-se por ele, mais nada. Saudades de Erin Brokovich (Julia Roberts) e de George Patton (George C. Scott), filmes que enriquecem quem os vê. Elio Gaspari

Perseguida por ter sido prefeita do PT.Colaboração de Erundina agilizou processo

Ao contrário dos ex-prefeitos paulistanos Paulo Maluf (PP) e Celso Pitta, que deixaram a administração com dezenas de processos judiciais, a ex-prefeita Luiza Erundina (PSB) viu uma das poucas ações iniciadas contra ela transitar em julgado e culminar no bloqueio do único imóvel que ela possui.

Erundina foi condenada por ter usado verba pública para financiar um anúncio publicado na Folha defendendo a greve geral dos transportes de 1989.A ex-prefeita geriu a cidade de 1989 a 1992 -Maluf de 1993 a 1996, e Pitta de 1997 a 2000- e, portanto, as ações contra ela são mais antigas. A ex-prefeita do PT Marta Suplicy (2001-2004) também responde a ações civis, mas o volume de casos é inferior aos processos contra Maluf e Pitta e, como sua gestão foi recente, os casos ainda estão em fase inicial.

Especialistas disseram que fatos além da questão temporal explicariam a rápida condenação de Erundina.

Processada em ação popular iniciada em 1989 pelo advogado Angelo Gamez Nunez, ela foi sentenciada em primeira instância em 1991. O Supremo confirmou a decisão em 2000.
Depois veio a execução da pena imposta, que era o pagamento de R$ 353 mil para a prefeitura. Essa fase só começou em 2008, quando a prefeitura pediu o bloqueio de bens.

Neste ano, Erundina fez um acordo e autorizou a penhora do apartamento de 80 metros quadrados (que, juridicamente, seria impenhorável por se tratar do imóvel em que vive), de dois carros, um Fiat Pálio (1997) e um Gol (2002), e ainda de 10% de seu salário.

Para o deputado federal José Eduardo Martins Cardozo (PT-SP), ex-secretário da gestão Erundina, um dos pontos fundamentais para explicar o final do processo é que a ação não foi por corrupção.

"Processos por desvio de verba são mais lentos, é preciso produzir provas, fazer perícias. Nesse caso, era uma discussão jurídica. Podia usar o dinheiro da prefeitura para pagar o anúncio? A Justiça entendeu que não." Para ele, a atitude da deputada fez diferença.

"Ela não fez chicana. Fez o que a Justiça pediu e a execução foi rápida. No Brasil, se a pessoa age com má-fé, se se esquiva de oficiais, não declara bens para a penhora, nunca é punido." "A deputada nunca deixou de receber os oficiais", disse o advogado Flávio Crocce Caetano, que a defendeu.

Maluf e Pitta, por outro lado, são conhecidos na Justiça como pessoas difíceis de serem intimadas ou de apresentarem bens para penhora.

"É fato que existe muita dificuldade em intimar Maluf. Num dos processos, ele arrolou uma testemunha do Líbano. Em outro, arrolou deputados, que têm a prerrogativa de escolher dia e local para serem ouvidos", diz o procurador Rodrigo de Grandis.

Em outro caso, a Justiça condenou Maluf a pagar R$ 120 mil de indenização à procuradora de Justiça Sandra Jardim. A Justiça penhorou um Porshe e R$ 40 mil da conta-salário de deputado. Oficiais de Justiça foram à casa do deputado e não encontraram o carro. Ele recorreu e disse que a conta-salário é para seu sustento, explicação não aceita pela Justiça.

No caso de Pitta, quase todos os móveis da casa dele, como cadeiras e mesas, além de aparelhos eletrônicos, foram penhorados. O político recorreu.

Adilson Laranjeira, assessor de Maluf, diz que ele nunca se esquivou de receber intimações nem de comparecer a audiências. Acrescenta que todas testemunhas elencadas são importantes para a defesa. A advogada Ruth Stefanelli Vallejo, que defende Pitta, diz que o ex-prefeito sempre colaborou com a Justiça.

sábado, 14 de novembro de 2009

Democracia onde?


O desgovernador de São Paulo José Jânio Serra deu um dos seus típicos chiliques quando tomou conhecimento do desabamento de algumas vigas nas obras do Rodoanel. E após ter gritado com meia dúzia de assessores, secretários, mandou que fossem tomadas providências para evitar impacto negativo no noticiário.

Os prejuízos, essa rubrica fica para depois.

O que Serra chama de impacto negativo no noticiário é toda aquela pantomima mentirosa arrumada pela REDE GLOBO e veículos menores quando do apagão. Quer dizer, jornalistas ouvindo “especialistas” encomendados, repórteres perguntando a políticos e respondendo por eles num exercício de “mediunidade cretina” incrível, antecipando–se às respostas e colocando palavra que interessam aos donos na boca de senadores e deputados, enfim, o pânico assim que nem dona Miriam Leitão criou quando das primeiras notícias sobre a gripe suína. “Vão morrer milhões no Brasil”.

Temos uma das mais porcas e vergonhosas mídias dentre todas as mídias porcas e vergonhosas que pululam mundo afora.

No Brasil a aposta dos EUA é em José Serra. Se isso não for possível, em Aécio Neves.

E o problema não é nem se Lula é bom ou ruim. É o que significam José Jânio Serra e Aécio Neves.

Tucanos passaram a semana inteira criticando o governo federal. Todas as responsabilidades pelo apagão foram atribuídas a Lula. Em nenhum instante falaram que esse precário equilíbrio, ou precário modelo energético, onde há abundância de energia e linhas de transmissão, entre outras coisas, é operado por empresas privadas, aquinhoadas com as benesses dos ganhos no vergonhoso processo de privatização do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, funcionário da Fundação Ford.

Não é a primeira vez que uma obra do desgoverno de São Paulo cai. Foi o buraco do metrô e agora o Rodoanel. Em todas elas estão envolvidas empreiteiras que contribuem à larga para as campanhas de candidatos tucanos.

Tipo assim se custa dez, usa material de oito, logo inferior, passa os vinte por cento da diferença para as campanhas tucanas.

Essa foi uma semana difícil no Brasil. Apagão, queda de vigas no Rodoanel e para completar o carrasco sionista/nazista Shimon Peres, presidente do estado terrorista de Israel.

A GLOBO, aberta ou fechada, é uma agência estrangeira de terrorismo midiático.

E assim o resto do corso. As redes menores, os chamados grandes jornais, revistas semanais, todo um processo envolvido na mentira e na informação distorcida do mau caratismo de gente padrão Alexandre Garcia.

Será que alguém vai levantar que as obras públicas em São Paulo se dão em concorrências viciadas com um percentual para o PSDB e particularmente para a campanha de um dos mais corruptos e insanos políticos brasileiro, o desgovernador José Jânio Serra?

Será que, para além de tentar crucificar o delegado Protógenes Queiroz, algum desses veículos ditos de comunicação vai investigar e mostrar a corrupção no STF a partir do seu presidente Gilmar Mendes?

Vinte e quatro horas por dia a serviço do banqueiro Daniel Dantas (para onde foi sua mulher depois de aposentada) e de gerar uma crise institucional no caso Cesare Battisti para facilitar o caminho de Serra, dificultar o de Lula.

José Jânio Serra é uma gota de água nesse oceano cristão, ocidental e democrático, mas num ponto do mundo decisivo para o que existe de fato. Um modelo político, econômico e social que se pretende único, absoluto, perfeito, nem que para isso seja preciso a borduna.

As vigas do Rodoanel são um acidente de percurso na cabeça de gente como José Jânio Serra e os meios de comunicação, servis e podres, estão proibidos de tocar nesse assunto para evitar sejam causados danos ao condado FIESP/DASLU que sejam irreversíveis, na única verdade que conta para eles. Eleições.

Por via das dúvidas já foram colocadas no ar as chamadas para o Big Brother, estão chegando os “heróis” de Pedro Bial.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Para ministro do Planejamento, é preciso uma "explicação cabal" sobre as causas

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e o presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes, não consideram encerrado o apagão que prejudicou o fornecimento de energia elétrica em 18 Estados na noite da terça-feira. Eles disseram ontem que é preciso investigar o que ocorreu. "Temos de dar uma explicação cabal sobre o que aconteceu", disse Bernardo.

Muniz Lopes reconheceu ontem que não tinha fatos ou informações novas sobre as causas do blecaute, mas também disse que é preciso saber o que aconteceu com os sistemas inteligentes que teriam de isolar um defeito e impedir que a falha de fornecimento se alastrasse.

Na visão do ministro do Planejamento, não faltou investimento para o setor. Ressaltou que, de 2007 a 2010, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) terá aproximadamente R$ 300 bilhões na área de energia, sendo que boa parte desses recursos vai para os segmentos de geração e transmissão. Ele ainda comentou que o apagão que ocorreu em 1999, numa subestação em Bauru (SP), ainda não foi totalmente esclarecido.

Apesar de reconhecer que tudo tem de ser esclarecido, o presidente da Eletrobrás ponderou que não há sistema perfeito de geração e transmissão de energia elétrica. Ele reiterou que as instalações de Furnas, empresa do grupo Eletrobrás responsável pela transmissão da energia gerada em Itaipu, estão em perfeitas condições e foram reativadas na manhã da quarta-feira, após as panes sequenciais que começaram às 22h da terça-feira.

A posição de Paulo Bernardo e Muniz Lopes contrasta com a do ministro de Minas e Energia Edison Lobão. Ontem, ao sair de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse que foram buscadas as causas do problema e elas foram resolvidas. "O problema está encerrado. Cada parte do sistema se empenhou em resolver o problema a tempo", afirmou Lobão.

Na entrevista coletiva dada na quarta-feira, o ministro de Minas e Energia culpou as condições meteorológicas pelo apagão. Para ele, foram descargas atmosféricas, ventos e chuvas muito fortes na região de Itaberá (SP) que provocaram o blecaute. A concentração desses fenômenos atmosféricos provocou um curto circuito nos três circuitos que levam a Itaberá, que vêm de Itaipu.

Ontem, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) informou que prepara uma relatório para enviar ao Operador Nacional do Sistema (ONS) sobre as condições atmosféricas no Brasil durante o apagão. O Inpe afirmou ontem, em nota, que houve uma "linha de instabilidade atmosférica" que causou chuvas fortes, raios e rajadas de vento em localidades do Paraná e em São Paulo, onde três linhas de transmissão foram desligadas.

O Inpe admite que, no horário do apagão, a região de Itaberá era atingida por tempestades com raios, mas afirma as descargas mais próximas do sistema elétrico estavam a aproximadamente 30 km da subestação e a cerca de 10 km de uma das linhas de Furnas. Para os especialistas do Inpe, apenas descargas elétricas de intensidade superior a 100kA que atingissem diretamente uma linha seriam capazes de causar um transtorno como o de anteontem. (Com agências noticiosas)

P-SOL negocia apoio à candidatura de Marina

Com a desistência de Heloísa Helena de concorrer à Presidência da República em 2010, o P-SOL estuda apoiar a candidatura da senadora Marina Silva (PV-AC) no próximo ano. O partido acenou ontem à aliança com o PV e deverá aproximar-se de Marina até o início de dezembro.

A Executiva do P-SOL reuniu-se ontem em Brasília e pretende definir até o próximo mês se apoiará a candidatura do PV ou se lançará um nome que não seja o da presidente do partido, Heloísa Helena, para a disputa presidencial. Segundo o secretário-geral da legenda, Afrânio Boppré, o P-SOL decidiu "testar" durante este mês, até a próxima reunião do comando partidário, as duas hipóteses entre os filiados: apoiar Marina ou ter candidato próprio. A tendência é que o partido apoie a ex-petista. "Vamos estudar qual possibilidade agrada mais ao partido", afirmou o secretário-geral do P-SOL.

Segundo o dirigente, o P-SOL poderá apoiar o PV se o programa de governo de Marina não se resumir à política ambiental. "Não pode ser uma campanha monotemática", considerou ontem Boppré. "Precisamos debater como a questão ambiental está relacionada com a política econômica, por exemplo", disse o dirigente. O P-SOL consultará PSTU e PCB, possíveis aliados na próxima eleição, e movimentos sociais.

A cúpula partidária deve conversar com Marina Silva e dirigentes do PV nas próximas semanas. A ideia do partido é "oferecer uma alternativa à falsa polarização" representadas pelas candidaturas do PT e PSDB, segundo documento divulgado ontem pela Executiva do P-SOL. A decisão final, contudo, será divulgada no próximo ano, na Conferência Eleitoral do partido. O PV ainda não lançou a candidatura de Marina Silva.

Heloísa Helena, presidente do P-SOL, decidiu não candidatar-se à Presidência, para poder disputar uma vaga ao Senado, por Alagoas. Assim como Marina, Heloísa Helena também desfiliou-se do PT. Em 2006, a ex-petista ficou em terceiro lugar na disputa presidencial, atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, com 6,575 milhões de votos - 6,85% do total. O resultado foi comemorado pelo partido, por ficar à frente da candidatura do PDT, do senador Cristovam Buarque (DF). Em 2008, Heloísa elegeu-se vereadora em Maceió.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Viu?

Tão logo Lobão foi despachado da reunião do pré-sal para tomar pé do apagão, um dos presentes brincou: "No tempo da Dilma isso não acontecia". Ela foi ministra de Minas e Energia no primeiro mandato de Lula.

A queda da Uniban/Taleban

Eletrobrás: falha de apagão deveria ter sido isolada em SP. E agora Serra?


O presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz, afirmou, em entrevista à Agência Brasil que deveria ter ocorrido o "ilhamento" do problema que originou a falta de luz em 18 Estados do País. Segundo ele, houve falha e é preciso investigar o motivo que levou o sistema de segurança a não ser ativado.

"Nós tivemos um problema meteorológico em Itaberá que levou à queda das três linhas de 750 Kilovolt (kV), o que significa dizer que perdemos a capacidade de transmitir metade da energia gerada por Itaipu. Deveria ter acontecido o ilhamento do problema para possibilitar o religamento do sistema. Mas como isto não aconteceu, aí o problema se estendeu para as duas linhas de corrente contínua que liga Itaipu a São Paulo. O que é preciso levantar é porque não entrou em operação o sistema chamado ERAT que existe exatamente para levar ao ilhamento".

O presidente da holding que controla as empresas do setor energético do governo disse que não houve problema de falta de energia, mas sim uma interrupção temporária nas linhas de transmissão. Para ele, o sistema elétrico está bem dimensionado e os investimentos foram feitos.

Muniz lembrou o fato de que, dentro do planejamento energético elaborado para o País, várias novas usinas, principalmente hidroelétricas de grande capacidade de geração, estão em fase de construção ou de licitação - citando as usinas do rio Madeira e de Belo Monte, no Pará, que entrá prevista para entrar em operação em 2014 interligando as regiões Norte e Sul e, consequentemente, fortalecendo o sistema elétrico brasileiro.

"Com as obras que estão planejadas e sendo executas, nós não temos dúvidas de que vamos atender ao aumento da demanda. O sistema não só está apto a atender ao crescimento, como a população pode ficar tranquila, porque acidentes como este dificilmente voltarão a se repetir".

"Eu não tenho dúvidas de que o sistema elétrico brasileiro está preparado para atender à demanda de energia por parte da população, como também está preparado para atender ao crescimento econômico do País esperado para os próximos anos. O que houve foi um problema no sistema de transmissão, tanto que restabelecida a operação, o País está funcionando dentro da normalidade do ponto de vista energético desde às 4h da manhã desta terça-feira".

Já foi comprovado que o problema foi a sobrecarga de consumo paulista, juntamente com as tempestades. O culpado é o administrador regional, neste caso a CESP.José Serra.. coloque o rabinho entre as pernas e saiam de mansinho.


Devido a inssistencia do senador Arthur Virgílio em convocar a ministra Dilma, da Casa Civil, para explicar o apagão, vem a suspeita: A causa do apagão seria sabotagem? O PSDB estaria envolvido? Uma ivestigação séria nos daria a resposta.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Para onde não vamos

O ex-presidente pergunta-se, indeciso, para onde vamos. Mas as próximas eleições mostrarão para onde não voltamos


O ARTIGO do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ("Para onde vamos") revigora todo o debate político nacional, tirando as oposições de sua presente e contundente mediocridade. Amplo no propósito e na riqueza polêmica, parte da afirmação de que tudo que é bom no atual governo já veio de antes e que o mal de agora apenas começa.Há, sim, confronto radical entre os dois regimes, ao contrário do que diz, e os tucanos abriram o país à globalização privatista hegemônica, enquanto o petismo vai hoje, com a melhoria social do país, à recuperação do poder do Estado, numa efetiva economia de desenvolvimento sustentável.

A legislação do petróleo, em projeto que ora assaca ao governo o ex-presidente, quer corrigir os efeitos da emenda constitucional de 1995, que desfigurou o monopólio do petróleo da Carta do dr. Ulysses num regime de concessão que, inclusive, entrega aos exploradores do subsolo nacional "a propriedade" do óleo extraído.

A partilha, sim, é o novo instrumento, nada "mal-ajambrado", em que volta, por inteiro, ao Estado o direito aos proventos dessa extração, ampliando sua destinação social imediata. Diga-o, agora, a Noruega, o país mais desenvolvido e democrático do mundo, que, exatamente, adotou esse regime nas suas riquezas do mar do Norte, deixando as concessões no cemitério das ideologias liberais capitalistas de há uma vintena.

O governo Lula reassegurou a presença do Estado para a efetiva mudança da infraestrutura, que pede o desenvolvimento, atrasado durante o progressismo liberal do PSDB, como mostravam os primeiros resultados do PAC, a contemplar entre os seus principais beneficiários, inclusive, o governo de São Paulo.

O país não frui ainda, claro, o programa Minha Casa, Minha Vida, mas sabe que o Bolsa Família colocou a população de uma Colômbia na nossa economia de mercado.
Claro, também enfrentamos o risco da absorção corporativa sindical no controle dos recursos públicos.

Mas essa é etapa adiante da página que se virou de vez, ou seja, do retorno ao controle pelo status quo, sob a ideologia social-democrata, de autolimitação do poder do Estado ou da crença dos progressismos espontâneos, sem dor para o país instalado, como professa a oposição a Lula.

O embaraço do tucanato em reconhecer o "entreguismo" dos controles públicos durante o seu governo é o mesmo que o alvoroça a assimilar o governo Lula ao "populismo autoritário peronista".

São comparações regressivas, que não se dão conta da experiência única da chegada do "outro país" ao poder, contra o desespero da violência dos "sem-nada", das Farc colombianas ou do Sendero Luminoso, no Peru, e assentou, de vez, uma maioria nacional, consciente de suas opções.

Realizar-se ou não o que seja, hoje, na sua originalidade, o "povo de Lula", é a diferença entre o Brasil "bem" e o país da mudança.

O petismo não é o justicialismo peronista, e hoje a nossa consciência coletiva supera o próprio partido, na solidez do que não quer para o futuro.
Essa nossa adesão ao novo, aliás, foi adiante, até, da própria legenda e de suas siderações pelas vantagens do poder, nessa matriz de um evento político que torna as futuras eleições tão distintas de uma escolha da hora entre situacionismos cansados e oposições gulosas. E o Brasil potência, tão profligado pelo ex-presidente, é a configuração emergente desse país que sabe que não volta ao berço esplêndido da nação dos ricos.

Mais que a denúncia dos "pequenos assassinatos" a minar "devagarzinho" o espírito democrático, o que entra pelos olhos do Brasil na conduta de Lula é a determinação visceral do governo de não ceder a um terceiro mandato, avassaladoramente acolhível, se assim quisesse o presidente, por emenda constitucional, tal como o governo tucano desfigurou o monopólio do petróleo.

No inverso de Chávez, Lula, no seu gesto, reafirma o essencial da democracia, que é o cumprimento das regras do jogo, no que diga a Carta, por maior que seja o poder da hora de quem está no palácio.

O ex-presidente pergunta-se, indeciso, para onde vamos. Mas as próximas eleições mostrarão para onde não voltamos, tanto quanto a nação de Lula sabe que, no Brasil, é "o povo como povo" intrinsecamente melhor que as suas "elites como elites".
CANDIDO MENDES , 81, membro da Academia Brasileira de Letras e da Comissão de Justiça e Paz, é presidente do "senior Board" do Conselho Internacional de Ciências Sociais da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e secretário-geral da Academia da Latinidade.

Briga de cachorro grande






O programa "Hoje em Dia", da Record, exibiu hoje pela manhã um bate-boca ao vivo entre repórteres da Globo e da Record que disputavam uma entrevista com o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmerman, sobre o apagão que atingiu 12 estados brasileiros na noite de ontem.

A repórter da Record Venina Nunes foi anunciada pelos apresentadores do programa e apareceu ao vivo perto do secretário, que aguardava para ser entrevistado por Camila Bomfim, da Globo News.

Venina tentou então chamar o secretário para começar uma entrevista, mas foi interrompida pela jornalista da Globo, que informou que ela deveria esperar.

"Muitas pessoas estão querendo ter a informação. Tá tudo certo, não se preocupe, a gente está acompanhando tudo por aqui", disse Celso Zucatelli, um dos apresentadores do "Hoje em Dia" que, em seguida, criticou o trabalho dos assessores de imprensa.

"Se não está ao vivo, se estão segurando o secretário propositalmente... eu venho aqui pedir que a assessoria do secretário colabore. Olha só, o secretário está esperando, nós estamos esperando porque a assessoria resolveu que ele vai esperar", disse o apresentador.

A repórter da Record chegou a sair por alguns minutos do local onde a entrevista aconteceria e depois voltou, tentando novamente falar com o secretário.

"Você invadiu o espaço da Globo, invadiu o link", disse um assessor de imprensa, impedindo novamente que a repórter da Record se aproximasse.

Enquanto a jornalista se explicava novamente aos telespectadores, a Globo News exibia a entrevista de Camila com Márcio Zimmerman.

Chamada ao vivo novamente pela equipe do "Hoje em Dia", Venina Nunes teve que esperar novamente, pois o secretário estava gravando uma nova entrevista para a Globo.

Lula ironiza Serra. Da-lhe Lula

Depois de uma semana em guerra aberta contra os tucanos, o presidente Lula e o governador José Serra (PSDB) viveram um dia de paz e amor, ontem, na sede da Fiesp, diante de uma platéia de 600 empresários e políticos, a maioria italianos. Serra começou seu discurso em italiano, falou da origem dos pais da Calábria e acabou elogiando a política econômica do governo.

- Estou 95% de acordo com o panorama que o ministro Guido Mantega (Fazenda) esboçou aqui - disse, citando o discurso anterior, do ministro da Fazenda de Lula, otimista sobre a situação econômica.

Lula disse que improvisaria o discurso e que tentaria evitar o risco de terminar cantando "Amore Mio". Mas fez propostas sutis de paz aos tucanos:

- Eu vou tentar não falar nada de macroeconomia, porque o Serra só discordou 5% do Guido (Mantega). E ele pode querer discordar um pouco mais de mim, uns seis (por cento). E nós vamos querer criar uma inimizade à toa. Então, não vou falar de macroeconomia, para ele concordar 100% comigo aqui.

Depois do evento, Serra disse que deixaria para os curiosos imaginarem os 5% de crítica que faria. Lula ironizou até a disputa política com Serra:

- Eu queria dizer ao Paulo (Skaf, presidente da Fiesp) que é importante ele parar de me convidar para vir aqui, porque daqui a pouco eu estarei vindo mais na sede da Fiesp que na sede da CUT, e isso pode me causar "complicômetros" . Toca que daí o Serra vai querer visitar a CUT mais do que eu... Então é preciso ter certo equilíbrio.

Ao final do discurso, nova brincadeira. Como Serra falara em italiano e contou que seus pais vieram da Itália, Lula brincou que os "Silva" também teriam raízes italianas:

- Serra, outro dia me disseram até que o meu Silva, na verdade é Shelva (que seria uma origem italiana). Porque, se eu não disser que tenho origem italiana, vai complicar...

À noite, em Brasília, Lula voltou às comparações entre seu governo e o governo tucano. Disse que os governadores do PSDB recebem mais recursos do governo federal em sua gestão do que recebiam nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso. Lula evitou citar o antecessor, mas afirmou que o governador de São Paulo Mario Covas (1995-2000) não recebia muita verba de Brasília com tucanos no governo federal. Globo

domingo, 8 de novembro de 2009

Culpar a vítima: essa foi a estratégia

Culpe a vítima. Essa foi a estratégia utilizada pela Uniban para, vá lá, "reduzir os danos" provocados pelo "affaire" Geisy. Acho que não chamaram ninguém do Departamento de Marketing para a reunião que definiu a expulsão. Nem da Pedagogia, nem o professor de Ética (se é que têm um).

Chamaram apenas alguém do Jurídico, o qual concluiu que a agora ex-aluna violou o artigo 215 e seguintes do Regimento Interno da universidade, ao usar "trajes inadequados" e fazer "percursos maiores que o habitual".
Não é preciso pós-graduação em astrologia para perceber que o impacto da decisão não é dos mais auspiciosos para a universidade.

Conseguiram transformar o que já era um pesadelo de relações públicas naquilo que o pessoal das Letras Clássicas chamaria de "defaecatio maxima" -e que o pudor que faltou aos dirigentes da instituição me impede de traduzir.

A provável ação indenizatória que Geisy moverá contra a escola acaba de ter seu valor majorado. A Uniban também deve ter perdido potenciais candidatos a estudante. Eu, pelo menos, pensaria várias vezes antes de matricular meus filhos numa faculdade que busca proteger um bando de arruaceiros atacando o elo mais fraco.

A estratégia de culpar a vítima é bem conhecida. Se uma garota foi estuprada, ela é pelo menos parcialmente responsável por seu destino: de alguma forma, provocou o estuprador, seja por utilizar roupas insinuantes, seja por meio de atitudes libidinosas. Afinal, nada acontece "de graça".

A psicologia explica tal atitude como um autoengano que visa a nos manter em posição de controle: se eu não me comportar "mal" como a "vítima", não estou sujeito ao mesmo risco. Tal operação mental nos permite persistir na crença de que o mundo é um lugar justo. Não é, como a Uniban acaba de demonstrar exemplarmente.

Imprensa desacreditada tenta passar adiante sua culpa

"Existe uma estratégia na América Latina para desprestigiar os meios de comunicação", afirmou neste sábado Ricardo Trotti, um dos diretores da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). A entidade realiza desde a última sexta-feira na capital argentina sua assembleia, que reúne mais de 500 editores das Américas. Segundo Totti, em declarações à rádio América, de Buenos Aires, a estratégia aplicada por vários governos da região é "preocupante".

Vamos às causas do desprestígio da mídia? Infelizmente, o que se vê na máioria dos meios de comunicação, são meras campanhas pelo poder, sem qualquer compromisso com a informação. O diretor da SIP está perdendo uma grande oportunidade de moralizar os meios de comunicação, estes sim, os grandes censores que insistem em transformar suas opiniões publicadas em opiniões públicas. Alguns setores da imprensa, no Brasil, assim como na Argentina e na Venezuela e não sei mais onde, conseguem ser piores que os piores políticos. Ninguém merece manipulação como a praticada pela Globo e vários outros canais de TV, a Veja (um panfleto travestido de revista), os jornalecos de minha cidade do interior e outras aberrações midiáticas, todas movidas pelo dinheiro dos corruptos ou no mínimo pelo perverso mercado deste capitalismo bárbaro.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Em apenas 3 anos 18,5 milhões de brasileiros sairm da pobreza

Em apenas três anos (2005 a 2008), 18,5 milhões de brasileiros tiveram elevação real em seus rendimentos individuais superior ao crescimento da renda per capita e à inflação. Com isso, subiram na pirâmide social brasileira. Esta é uma das conclusões de estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que se baseou nos dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad 2008), do IBGE. O documento, divulgado ontem, mostra que sete milhões de pessoas deixaram o segmento de baixa renda e ascenderam à classe média e 11,5 milhões passaram a fazer parte da camada de mais alta renda do país.

- Por este estudo é possível perceber que a sociedade brasileira voltou a ter mobilidade. É um quadro de ascensão social que deriva das melhoras ocorridas no mercado de trabalho em termos de ampliação do emprego e, sobretudo, melhora da renda - disse Marcio Pochmann, presidente do Ipea.

O estudo do Ipea considera como classe média rendimentos mensais entre R$ 188 e R$ 465; alta acima de R$ 465; e, abaixo de R$ 188, são classificados como baixa renda. Essa rápida ascensão aos níveis mais altos de renda, segundo a pesquisa, se deu com mais intensidade nas regiões Sudeste e Nordeste, e atingiu uma parcela maior de indivíduos negros e do sexo feminino.

Além disso, essa população deixou de se concentrar nas grandes cidades e foi para cidades do interior.

- Na base da estrutura social brasileira percebemos que a mobilidade social está fortemente associada ao sexo feminino e também à população negra que melhorou a sua condição no segmento da renda intermediária.

Já temos hoje uma elite negra no país - disse Pochmann.

País caminha para 'figura de um barril', diz Pochmann O Ipea, órgão ligado ao governo federal, também verificou a representação de cada uma das classes sociais nas camadas de renda da população brasileira entre 1995 e 2008, chegando à conclusão que houve uma redução da participação do segmento de renda mais baixa. Em 1997, as pessoas que ganhavam menos representavam 34% da população economicamente ativa.

No ano passado, essa participação caiu para 26%, o menor nível desde 1995. Já a classe média que respondia por 21,8%, cresceu para 37,4% no mesmo período. Já os de renda mais alta subiram de 35,8% para 36,6%.

Segundo Pochmann, com esses resultados a ideia de pirâmide social no Brasil precisa ser reconfigurada, porque o país está caminhando para a "figura de um barril", que passará a representar a redução da presença da população de menor renda e a ampliação da de renda intermediária, acompanhada da melhora do estrato superior de renda dos brasileiros. Outro dado revelado no estudo foi a descentralização do desenvolvimento, das empresas e do emprego que estão saindo dos grandes centros urbanos rumo ao interior do país.

- Não dá mais para dizer que o interior do Brasil é a parte mais pobre e as grandes cidades são as regiões mais ricas - afirmou Pochmann.

Faltam TVs de LCD nas lojas

Grandes redes de varejo reclamam da falta de TVs com monitor de LCD (tela de cristal líquido na sigla em inglês) nas lojas e fabricantes já trazem o painel do eletroeletrônico de avião da Ásia até Manaus (AM) para atender mais rapidamente à procura.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem, em Londres, que está se formando um "forte mercado de massa no Brasil". Ele citou como exemplo desse movimento a falta de TVs de LCD. "A população não quer mais aqueles aparelhos com tubos enormes", afirmou.

Para dar conta da procura crescente, faz três meses que a LG decidiu embarcar os painéis fabricados na Coreia e na China por via aérea. Normalmente, esse componente, que é o coração da TV de LCD, vem de navio e demora 60 dias até ficar disponível na linha de produção da fábrica em Manaus. De avião, levam duas semanas, mas por um custo bem maior.

"Não vamos repassar esse aumento na despesa de transporte para o preço do produto. Queremos atender à demanda e manter a nossa participação de mercado em 32%", afirmou o diretor comercial da LG, Roberto Barboza. De janeiro a outubro, as vendas de TV de LCD no mercado brasileiro cresceram cerca de 35% em número de peças. No mesmo período, a LG ampliou entre 40% e 45% as vendas em unidades.

Mesmo trazendo os componentes de avião para acelerar o processo de produção, Barboza disse que não vai conseguir atender totalmente à demanda. "Vamos ter uma oferta de TVs de LCD entre 25% e 30% abaixo da procura."

Fernanda Summa, gerente de Produto TV da LG, explicou que a briga tem sido diária para comprar monitores na Ásia nos últimos três meses. As cinco fabricantes mundiais estabeleceram cotas para os clientes, depois que reduziram a produção, no fim do ano passado por causa da crise.

"O problema é mundial", diz ela, ponderando que a situação foi bem pior três meses atrás. A perspectiva é que o abastecimento se regularize no País no primeiro trimestre do ano que vem.

O Grupo Pão de Açúcar, que controla o Ponto Frio e o Extra Eletro, confirma a falta de mercadoria, especialmente os televisores de LCD de 32 e 42 polegadas, os modelos mais vendidos. A Casas Bahia, a maior rede de móveis e eletrodomésticos do País, também sentiu dificuldades no suprimento.

"Faltam TVs de LCD de 32 e 42 polegadas. Os fabricantes dizem que a oferta poderá melhorar em dezembro", disse o diretor das Lojas Insinuante, Rodolfo França Júnior.

Já as Lojas Colombo informaram que a situação do abastecimento foi pior 30 dias atrás. A empresa tem hoje produto para atender à demanda. "Temos estoques de televisores de LCD para 70 dias", contou o supervisor geral das Lojas Cem, José Domingos Alves. Ele disse que a rede está com a grade completa de produtos. Para ele, há risco de falta de um ou outro modelo de TV.

COLABOROU DANIELA MILANESE

 
© By Juliana Weis